Crítica: “CAM”

CAM” é um suspense com temática “Black Mirror“. Particularmente, não gosto de filmes que se passam boa parte em ambiente virtual. Um exemplo desse tipo de longa é “Amizade Desfeita” por exemplo. Entretanto, tenho que dar o braço a torcer a roteirista Isa Mazzei.

Seu trabalho, junto com a direção de Daniel Goldhaber – em seu primeiro filme de longa metragem – é excepcional.

Eles conseguem construir um clima de tensão crescente durante o filme todo. Dessa forma, tudo se torna tão interessante que fica difícil alguém se perder no meio do caminho. Mesmo com alguns pequenos problemas de lógica que o filme apresenta, por exemplo a demora da protagonista em chamar as autoridades, ele ainda vale a pena.

Outro destaque muito mais que merecido vai para a atriz Madeline Brewer. A atriz consegue dar vida a sua personagem. Consequentemente, os espectadores conseguem sentir cada uma das sensações que a sua personagem, chamada Alice Ackerman, sente durante o filme.

Ela faz um ótimo trabalho, tendo como base esse roteiro muito bem escrito. Isso faz com que a personagem, que usa o codinome Lola no mundo virtual, ganhe a empatia de seus espectadores logo nos primeiros momentos do filme. Isso sem contar a premissa inteligente, que garante a atenção do espectador por si só.

 

Atenção para o spoiler

Para uma premissa tão inteligente, o final do filme acaba deixando a desejar. É um desfecho tão comum para tantos mistérios que surgem durante os noventa minutos do longa. O filme não explica exatamente o que aconteceu para Lola ser duplicada e nem aponta culpados para isso. Talvez o culpado nem tenha aparecido no filme, e fosse apenas uma pessoa aleatória em busca de dinheiro. Dessa forma, não seria alguém significativo na vida da protagonista. De qualquer forma, a resposta a esse mistério era algo previsível: um software que copiava as pessoas, era algo no mínimo previsível.

Ainda assim, “CAM” é um filme com grandes qualidades, e que entretém bastante enquanto mantém o público ligado. A resolução fraca para o mistério não compromete o todo, e o longa continua sendo uma aposta segura para quem gosta de histórias sombrias que envolvem a tecnologia moderna.

Post Author: Mateus Castucci

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