O Castelo Animado | Leia a crítica do filme, que chegou à Netflix

O Castelo Animado | Leia a crítica do filme, que chegou à Netflix

O Castelo Animado, filme do gênio Hayao Miyazaki, estreou nos cinemas em 2004. O filme chegou agora na Netflix para alegria dos fãs do Studio Ghibli, um dos estúdios de animação mais cultuados da história recente.

E não sem razão: as obras de Miyazaki não são comuns. Meu Amigo Totoro, Porco Rosso e principalmente A Viagem de Chihiro (pelo qual ele ganhou um Oscar) são como sonhos. Nessas histórias, é preciso mergulhar fundo para compreender sua mensagem.

O visual sempre requintado facilita a imersão. A fama de gênio que ele carrega até os dias de hoje, quando já está aposentado, é totalmente justificada.

Neste filme, feito imediatamente depois do êxito de Chihiro, Miyazaki fala sobre a guerra. Do seu jeito, ele se coloca sabiamente contra ela, mantendo todos os elementos que fizeram de suas animações as peças únicas tão conhecidas. Caso não saiba, são: protagonistas fortes, criaturas fascinantes e cenários idílicos. Aqui ele resolveu falar sobre os conflitos que fazem o mundo desandar.

 

A leveza de O Castelo Animado

No entanto, mesmo com esse tema O Castelo Animado não carrega um humor pesado. Pelo contrário: mantém-se leve. Claro que, dada a temática, não é possível fazer um filme solar como foram os outros do Studio. Entretanto, ainda assim tem grandes méritos por não carregar demais nesse sentido.

Chama a atenção, por exemplo, a presença de um cão asmático que serve como alívio cômico, assim como um garoto disfarçado de ancião.

Isso, por si só, mostra a perspicácia de Miyazaki como roteirista. Mas não só: como animador, ele faz uma mistura absolutamente convincente de animação tradicional e 3D. Lembre-se: O Castelo Animado é do meio dos anos 2000, a tecnologia ainda caminhava.

Os grafismos digitais são usados para pontuar certos trechos que dariam trabalho demais para fazer à mão. No entanto, boa parte do filme usa a técnica antiga. O resultado é assombrosamente coeso.

Se você se pergunta, a essa altura, qual é a história, aqui vai um resumo. O Castelo Animado fala sobre trata um feiticeiro errante chamado Howl, que se recusa a ser arrastado para a guerra. Em volta dele temos outras linhas narrativas, como uma jovem vítima de um feitiço de envelhecimento, a rivalidade entre duas bruxas e o destino de um demônio do fogo chamado Calcifer. Intrigante, né?

 

Obra reverenciada

A mistura de realismo com surrealismo, que sempre podem ser encontradas nos filmes de Miyazaki, chega aqui ao seu ponto máximo. Vários eventos reais, como a Segunda Guerra Mundial, são retratados no longa com o peculiar olhar do diretor/roteirista. Dessa forma ele acaba mostrando, de forma velada, os horrores desses conflitos.

Na época de seu lançamento, O Castelo Animado não rendeu muita coisa fora do Japão. No entanto, com o passar dos anos, a história baseada no romance escrito por Diana Wynne Jones ganhou uma legião de fãs e, atualmente, é reverenciada como uma das melhores animações de todos os tempos.

Não é para menos. O Castelo Animado traz uma enorme lição sobre humanidade de uma forma lúdica, com paisagens e personagens coloridos (em todos os sentidos). No fim, transforma-se em um libelo anti-guerra. Com a chegada do filme na Netflix, muito mais pessoas terão acesso a uma verdadeira obra de arte, comandada por um legítimo autor genial, que já gravou seu nome na História do cinema.

Veja também a nossa crítica sobre a quarta temporada de La Casa de Papel, estreia da Netflix.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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