Crítica: “Roma”, de Alfonso Cuarón

Não é à toa que o filme “Roma” quase sempre vem acompanhado do nome de seu diretor. A verdade é que este é um filme tão autobiográfico que se torna impossível dissociar obra do criador. Dessa forma, Alfonso Cuarón faz como Federico Fellini fez em seus clássicos “8 e 1/2” ou “Amarcord“. Ou seja: cria uma obra totalmente nova em cima de lembranças do passado, da infância, de uma vida que tem o que contar.

“Roma” é uma homenagem do diretor à empregada doméstica que trabalhou em sua casa quando criança. Libo – este é o carinhoso nome pelo qual ela chama – ganhou dedicatória nos créditos finais. Mas não é apenas a sua história que surge no longa. A do próprio Cuarón e de sua família também é retratada aqui, além da própria história do México, país natal do realizador e onde a história se passa.

O filme foca em Cleo, uma empregada que vive nos fundos da casa de uma família de classe média. Eles moram no Colônia Roma, um bairro tranquilo na Cidade do México. É daí que o título do filme vêm, ao contrário de quem pensa que se trata de uma alegoria ao Império Romano. A vida de Cleo é mostrada em suas dificuldades e em seus laços com essa família, formada por uma mãe, um pai, uma avó e quatro crianças. Consequentemente, entendemos como funciona a dinâmica nessa casa. Cleo é adorada pelas crianças, mas não tem lugar cativo no seio familiar. Para os chefes da família, ela é apenas a empregada boazinha que mora com eles.

Entretanto, Cleo tem vida própria e depois de engravidar, começa a perceber seu verdadeiro lugar no mundo. Assim, acompanhamos a sua jornada rumo a uma outra vida, que ela nunca imaginou que poderia ter.

 

Técnica fantástica

Crítica de "Roma" de Alfonso Cuarón
Yalitza Aparicio em cena de “Roma” – Foto; Reprodução

Cuarón, conhecido por ser um diretor de técnica apurada, chega aqui ao seu auge. Este é, sem dúvida, seu melhor longa metragem. Com um currículo relativamente pequeno (ele fez menos de dez filmes até aqui), já detém dois Oscars. Ganhou pela direção e edição de “Gravidade”, de 2014, que era até agora considerado o seu melhor trabalho. Em “Roma”, ele supera sua própria marca. Dessa forma, temos um filme com intenso rigor técnico, enquadramentos duros com ângulos retos, mas com uma história sensível e catártica da qual é impossível se desligar.

“Roma” cresce nos detalhes, e fica ainda maior depois de assisti-lo. Ainda assim, muitas pessoas podem considerá-lo maçante, mas não é, nem de longe, um filme complicado. É um recorte de uma jornada pessoal, que transforma tanto a protagonista quanto nós, espectadores.

Temos uma crítica completa a esse filme em nosso site. Assista!:

 

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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