Por que “Castlevania” se tornou um sucesso da Netflix?

Em 1986, a empresa japonesa de jogos eletrônicos Konami lançou o game “Castlevania”. Com o título original de “Akumajo Dracula”, o jogo que alcançou sucesso mundial nas décadas seguintes. Assim, ganhou versões para as mais diversas plataformas, com lançamentos que vão da década de 1980 até meados de 2010.

Em linhas gerais, a saga de games conta a história da família Belmont contra o temível e lendário Drácula. Alguns fãs dos jogos podem achar a história um tanto quanto confusa, já que não segue uma linha do tempo retilínea. Dessa forma, por diversas vezes o jogador se vê num passado ou futuro distantes com datas que vão de 1094 até 2057. A série de jogos, que em alguns momentos bebeu da fonte de Drácula de Bram Stoker, conta ainda com elementos de grandes clássicos do terror. Alguns exemplos dos “monstros” que surgem em “Castlevania” são os já conhecidos de todos como múmias, feiticeiras, vampiros, lobisomens e fantasmas.

No entanto, para alegria de alguns fãs e receio de outros, a Netflix anunciou em 2017 o lançamento de uma série de animação baseada no universo dos jogos de “Castlevania”. Realizada em estilo anime, foi informado que a produção estaria disponível em julho do mesmo ano. Para aumentar a apreensão, a produtora comunicou que a temporada conteria apenas quatro episódios, de pouco mais de vinte minutos cada. O escritor britânico Warren Ellis ficou a frente do projeto para o serviço de streaming. Um fato curioso é que Ellis já tinha o roteiro pronto para ser lançado no formato de um filme. Portanto, ele teve que adaptar esse roteiro para contar a história dividida em quatro partes.

 

“Castlevania”: um enredo sombrio

Enfim, em 7 de Julho de 2017 o público pôde assistir a primeira temporada da série. O resultado parece ter agradado a grande maioria do público, que viu os 4 episódios de uma só vez. A censura da animação foi definida em 16 anos. Esse fator deixou claro que a produção não seria destinada aos mais assustados. Com um traço forte e bem marcado, muitas vezes “Castlevania” deixa a cena com ares de retratos antigos. Também estão presentes os elementos religiosos, tanto durante os episódios quanto no subir dos créditos. Aliás, este conta com uma trilha sonora marcada pelo Canto Gregoriano. “Castlevania” mostrou que veio para ficar.

Imagem de “Castlevania”, série da Netflix – Foto: Reprodução/Divulgação

Na trama principal, Lisa Tepes vai até o castelo de Drácula em busca de conhecimentos milenares, que podem ajudá-la a prestar auxílio a outras pessoas na cura de seus males físicos. Ao contrário do que se possa imaginar, o vampiro se apaixona pela humana e faz dela a sua esposa. Por conta disso, ela foi perseguida pelos líderes locais da igreja católica. Eles imaginam que a médica é uma feiticeira, que usa magia negra para curar os enfermos da região. Ao ser capturada, Lisa é sentenciada a morte na fogueira.

Absolutamente perturbado pelo fim que teve a sua amada, Drácula usa de sua ira e poder para infligir sofrimento sem fim aos humanos que estiverem em seu caminho. Da mesma forma, influenciado pelo forte laço que tem com sua mãe, o filho meio vampiro de Drácula faz de tudo para deter o pai em sua busca por vingança. Assim, os dois entram em uma inevitável rota de colisão.

 

Uma pressão inevitável

Tratando tanto de mitos seculares quanto da perseguição causada pela Igreja Católica durante a inquisição, “Castlevania” se firmou como um sucesso. A segunda temporada foi lançada em outubro de 2018. Antes mesmo de seu lançamento, o ator Richard Armitage (que é responsável por dar voz ao personagem Trevor Belmont) já havia confirmado a gravação de alguns episódios. Eles seriam lançados no terceiro ano da sequência, que foi oficialmente confirmada pela Netflix. A próxima temporada terá 10 episódios, e o público já aguarda ansiosamente pelo seu lançamento.

E não é para menos. “Castlevania” tem o poder de prender a atenção do público com uma história sombria e muito bem executada. Dessa forma, a sua renovação seria mesmo inevitável. No entanto, há uma pressão inevitável. Isso porque, com o sucesso feito, a produção precisa sempre se superar. Esse objetivo foi atingido com a segunda temporada, que muitos consideram melhor do que a primeira. Então, é preciso repetir esse feito.

Em suma, os fãs dos jogos de “Castlevania” não se decepcionaram com a animação feita pela Netflix. A grande maioria ficou bastante satisfeita. Da mesma forma, entendem que ainda não se pode comemorar. Para estragar um grande trabalho, basta um escorregão. As duas primeiras temporadas foram impecáveis, bem como também um grande sucesso de crítica. Manter essa qualidade é essencial.

Post Author: João Neto

Paraibano de nascimento, atualmente morando em Curitiba, leitor assíduo, graduado em Biblioteconomia e livreiro por profissão com um vício intenso no consumo de séries e filmes e outro maior ainda em escrever o que achou deles.

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