"Comediantes do Mundo" prova que o gênero está em decadência, mas que ainda tem seus momentos.

Crítica: “Comediantes do Mundo”

Comediantes do Mundo” prova que há gosto para tudo nessa vida. Há quem seja apaixonado por stand-up, por exemplo. Esse tipo de humor, que já revelou tantos comediantes talentosos, tem enfrentado uma séria crise nos últimos anos. Isso acontece porque o humor desse estilo tem se tornado apelativo, chulo, sem conteúdo algum.

"Comediantes do Mundo" prova que o gênero stand-up está em decadência. Mas tem seus momentos.
“Comediantes do Mundo” – Foto: Reprodução

No entanto, há exceções. Uma dos últimos lançamentos da Netflix nesse gênero e que realmente tem algo a dizer foi “Ellen DeGeneres: Bem Relacionada“. A humorista, que estava longe dos palcos há muitos anos para se dedicar ao seu programa de TV, voltou em grande estilo. Ao usar sua própria vida e trajetória como matéria prima para suas piadas, ela fez o público rir ao mesmo tempo em que provocou reflexão. É uma pena que boa parte dos seus companheiros de palco não façam o mesmo. O stand-up, em sua maioria, se transformou em um grande show de machismo, misoginia e preconceitos a la carte.

Felizmente, em “Comediantes do Mundo” esse problema parece estar bem controlado. Evidentemente, em um show com tantos convidados é impossível que tudo seja perfeito. Entretanto, o show consegue trazer mais risos sem precisar apelar para provocações rasas, como em outros especiais do tipo que são exibidos na Netflix.

Aqui, temos a participação de 47 humoristas do mundo inteiro. Dos Estados Unidos ao Brasil, do Canadá até a Índia, temos um leque considerável de opções. Cada um teve meia hora para mostrar o que sabe: fazer o público rir. Boa parte do material foi gravado em um festival de comédia no Canadá – o que explica a predominância de artistas desse país nas temporadas. O restante foi feito aos poucos, espalhados pelo mundo.

 

“Comediantes do Mundo” mostra gênero em decadência

A conclusão que se chega ao assistir “Comediantes do Mundo” é que o humor é algo bastante subjetivo. A piada pode funcionar para uns e não para outros. Pode fazer sentido em país e não em outro. Apesar do humor ser uma linguagem universal, nem sempre ele é compreendido da mesma forma. Portanto, algumas coisas podem ser realmente engraçadas para nós, no Brasil, enquanto para outros pode não ter a menor graça.

Sendo ainda mais específico, é possível dizer que “Comediantes do Mundo” tem seus momentos. Os representantes brasileiros – Afonso Padilha, Thiago Ventura e Mhel Merrer – dão conta do recado. Em compensação, outros participantes das temporadas já disponibilizadas pela Netflix simplesmente não têm graça alguma. Entretanto, se entraram no especial, foi porque o humor que demonstram agrada a uma parcela. Mais uma vez, ressaltamos: o humor é realmente uma coisa relativa.

No geral, “Comediantes do Mundo” agrada, mas sofre de estafa. Maratonar essas temporadas é difícil, já que assistir a stand-ups seguidos pode enjoar depois de um tempo. Assisti-lo aos poucos é mais prudente e ajuda a manter a graça do programa. Ele tem seus momentos de brilhantismo, ao mesmo tempo em que confirma a decadência desse gênero que era sucesso garantido no passado.

 

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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