Apesar de oscilar entre a comédia e o drama sem se definir, "Lionheart" merece ser visto pela empatia que causa no espectador.

Crítica: “Lionheart”

Lionheart” é a primeira produção nigeriana a figurar no catálogo da Netflix. Acredite, esse é um grande feito. A indústria cinematográfica do local reacendeu de uns poucos anos para cá, possibilitando que seus filmes sejam conhecidos mundo afora.

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Dessa forma, agora temos acesso a esse grande exemplo de comédia dramática. Mesmo que o filme fique em cima do muro no que diz respeito ao gênero – se é comédia ou drama, ou os dois – ele tem momentos memoráveis. Por isso, deve ser assistido.

Além do mais, o filme promove a discussão sobre o racismo e o sexismo no país africano (e por consequência, no mundo todo). O fato de ter sido dirigido por Genevieve Nnaji, que também estrela a produção, não é por acaso. Sendo ela mulher em um país predominantemente conservador, não há dúvida de que ela fez história ao conseguir emplacar seu longa no catálogo internacional da Netflix. No entanto, como dissemos, o filme tem alguns defeitos pontuais. Eles não estragam a experiência de assistir ao longa, felizmente.

 

A história

Apesar de oscilar entre a comédia e o drama sem se definir, "Lionheart" merece ser visto pela empatia que causa no espectador.O filme fala sobre a Transportadora Lionheart, que é comandada por um mesmo homem há muitos anos. Ele é o fundador do negócio, que está à beira da falência. Sua filha, Adaeze, se preparou para assumir o posto de comandante da empresa quando o pai resolvesse se afastar. Entretanto, quando ele sofre um ataque cardíaco, quem acaba com o posto é o irmão dele. Ela – e todos em volta – percebem que o sujeito é absolutamente incompetente. Só ganhou a função por ser o homem mais próximo na linha hierárquica.

Relegada a uma posição abaixo do que ela esperava, Adaeze precisa ajudar o tio a sanar as dívidas da Lionheart e salvar a empresa. Nesse meio tempo, ela precisa aprender a conviver com ele, e também enfrentar todas as dúvidas que cercam o fato dela ser reconhecidamente talentosa, mas não conseguir atingir seus objetivos apenas por ser do sexo feminino.

Em primeiro lugar, nota-se que o roteiro escrito por Ishaya Bako, Emil B. Garuba e C.J. ‘Fiery’ Obasi capricha na hora de deixar claro a conotação sexista das escolhas dos protagonistas masculinos. Adaeze se preparou para tirar a empresa da lama, mas é colocada de lado por não acreditarem que ela é capaz de liderar esses esforços. O filme também fala sobre a união familiar, sobre coragem e determinação – são temas que acabam se ligando, no decorrer da trama, ao fator principal. Tudo isso visto com um viés de comédia, mas que muitas vezes deixa uma sensação amarga.

 

“Lionheart” entre a comédia e o drama

“Lionheart” não tem um ritmo frenético, como pode se esperar de uma comédia. A diretora Genevieve Nnaji sabe muito bem o que está fazendo e estabelece os temas que vamos ver na hora e meia de projeção aos poucos. Quando percebemos, estamos conquistados pela história. Não há nada de complicado no roteiro, pelo contrário: todas as questões pertinentes ao lugar da mulher na sociedade, os laços familiares e a superação de obstáculos surgem organicamente. Não soa forçado. E isso se deve à firmeza da atuação e da direção de Genevieve, que realiza esse trabalho duplo com enorme competência.

É preciso valorizar também a fotografia de “Lionheart”, sob responsabilidade de Yinka Edward. Ele capta os cenários naturais nigerianos de forma a ressaltá-los. Nisso, nota-se também um orgulho do país. A paisagem, sem dúvida, é de encher os olhos. Dessa forma, não só a história nos encanta, mas também as imagens são hipnotizantes.

Em suma, a chamada “Nollywood”, a nova indústria cinematográfica nigeriana, está bem representada com “Lionheart”. Porém, em determinados momentos há problemas de ritmo narrativo. Cenas que poderiam ser mais curtas, outras que poderiam ser mais longas. No entanto, essas pequenas falhas não são suficientes para nos tirar a empatia. Nos importamos com os personagens e com seus destinos. Filmes assim é que valem a pena ser vistos.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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