Crítica: “Inspire, Expire”

O longa “Inspire, Expire” trata de temas complexos em um mundo que está mudando com rapidez. O filme traz uma temática interessante ao abordar as questões da imigração com dureza. Isso fica refletido principalmente nas duas mulheres fortes que protagonizam a história. Dessa forma, temos uma explanação sobre problemas sociais que atinge em cheio o seu objetivo. Ou seja, nos abrir os olhos para os marginalizados e excluídos em nossa sociedade.

Veja a nossa opinião completa sobre o filme no canal:

O filme nos apresenta Lara, uma mulher que tem seus trinta e poucos anos e que está com sérios problemas financeiros. Sem emprego, ela tenta cuidar de seu filho sozinha. Entretanto, tem encontrado cada vez mais dificuldades para se manter. Por fim, ela é obrigada a sair de sua casa e morar, com o garoto, em um carro. A sorte muda quando ela finalmente consegue um emprego no aeroporto da cidade. Lá, logo em seus primeiros dias, seu caminho se cruza com uma outra mulher, vinda de Guiné-Bissau. Com um passaporte falso, ela tenta embarcar para o Canadá. A partir disso, temos uma série de reviravoltas que unem essas duas mulheres que, cada uma com seu motivo, encontram-se ignoradas pela sociedade onde vivem.

Com uma temática tão potente, “Inspire, Expire” poderia facilmente errar a mão na hora de tratar desses assuntos. Felizmente, o diretor Ísold Uggadóttir sabe exatamente entregar o equilíbrio entre os momentos dramáticos e tensos, sem se deixar levar pelos caminhos fáceis. Parece até ser um veterano, entretanto este é seu primeiro longa-metragem. Experiente com curtas-metragens, Uggadóttir comanda a narrativa de forma econômica, mas sempre deixando reviravoltas no caminho para nos pegar de surpresa.

 

Grandes atuações em “Inspire, Expire”

"Inspire, Expire" é um drama potente que fala de assuntos sérios sem perder a chance de nos surpreender com reviravoltas.A fotografia também é acertada, evitando chavões típicos de filmes gravados em belas paisagens. A Islândia tem vários, mas não as vemos aqui. O foco está nos personagens. Entretanto, o ponto forte de “Inspire, Expire” está em suas atuações. Kristín Þóra Haraldsdóttir e Babetida Sadjo estão fenomenais encarnando mulheres duras, orgulhosas, que não aceitam ajuda de ninguém pois não querem ser dependentes. Isso traz problemas, é claro, mas ao mesmo tempo reforça seus temperamentos. As duas interpretam suas personagens com seriedade e dando cada vez mais camadas de profundidade a elas. Ao fim, temos um trabalho exemplar.

Além disso, há também Patrik Nökkvi Pétursson, que interpreta Eldar, o filho de Lara. O garoto é, muitas vezes, o elo que liga as duas mulheres tão diferentes, mas com problemas tão similares. Ele tem a doçura necessária para passar a inocência que a história pede. Ele também é um destaque positivo em um filme que tem poucos erros.

Talvez o mais próximo de um erro seja o ritmo às vezes arrastado da narrativa. Entretanto, a cada reviravolta proposta pelo roteiro, nos conectamos novamente à ela. No fim das contas, “Inspire, Expire” é um filme que trata de assuntos muito particulares (fala também sobre questões da sexualidade, do abandono da sociedade aos pobres, etc). Apesar disso, não se perde em nenhum deles e entrega um produto de verdadeira qualidade no catálogo da Netflix.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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