"El Potro - Lo Mejor Del Amor" é uma cinebiografia que faz justiça ao biografado, sem esconder seus defeitos ao mesmo tempo em que exalta suas qualidades.

Crítica: “El Potro – Lo Mejor Del Amor”

Cinebiografias são filmes complicados de se fazer, e “El Potro – Lo Mejor Del Amor” poderia ter sido um projeto arriscado. No entanto, a produção argentina consegue se sair bem ao dar um enfoque completo na vida da pessoa retratada. No caso, trata-se de Rodrigo Bueno, um dos grandes artistas das últimas décadas no país, e que teve um destino trágico logo no começo dos anos 2000.

Veja em nosso canal a opinião completa sobre este filme:

As escolhas narrativas do longa não poderiam ser mais acertadas. Dessa forma, temos um panorama sobre a vida de Rodrigo, conhecido por lá como “El Potro” – daí que surgiu o nome do filme. Ao invés de falar apenas das qualidades do sujeito, o filme abarca todas as suas contradições. É muito raro uma cinebiografia se propor a isso. É um grande mérito do roteiro e da produção. Evidentemente, houve problemas com a família de Rodrigo, que gostaria de ver um filme mais chapa-branca. Por sorte, ninguém envolvido com o longa aceitou ceder nesse ponto.

Temos, então, a ascensão e a queda de Rodrigo Bueno, interpretado aqui por Rodrigo Romero, em seu primeiro trabalho no cinema. O cantor e compositor, filho de artistas e que tinha um talento natural para a música, é mostrado em seu começo de carreira. Acompanhamos sua história até o estrelato. Evidentemente, o sucesso não veio fácil. Foi preciso muita luta para chegar lá.

 

“El Potro – Lo Mejor Del Amor”, um filme sem sutilezas

Com o passar do tempo, Rodrigo descobriu um nicho para chamar de seu: o cuarteto cordobés. Este é um ritmo típico de seu local de nascimento, Córdoba. Por causa dele, o gênero se popularizou. Virou febre nos anos 90. E claro, o jeito sensual de se apresentar e cantar fez dele um astro.

"El Potro - Lo Mejor Del Amor" é uma cinebiografia que faz justiça ao biografado, sem esconder seus defeitos ao mesmo tempo em que exalta suas qualidades.
Poster de “El Potro – Lo Mejor Del Amor” – Foto: Reprodução

E como todo astro, ele teve problemas com seu temperamento, com as facilidades da fama. Não era uma pessoa fácil, e o filme não esconde isso. Consequentemente, conhecemos o lado menos sedutor de Rodrigo. Seus momentos agressivos são mostrados aqui, além de suas escapadas amorosas. Como resultado disso – e também do excesso de trabalho – ele acabou se tornando uma pessoa instável. E isso levou a eventos que acabaram com sua morte, em junho de 2000, aos 27 anos.

Acima de tudo, é necessário destacar que a direção de Lorena Muñoz trata o artista sem sutilezas. Podemos vê-lo por inteiro em “El Potro – Lo Mejor Del Amor”. A atuação do novato Rodrigo Romero também contribui pra isso, bem como o elenco coadjuvante, que dá suporte à história principal com muito talento. Entretanto, podemos dizer que o trecho final do longa tem seus problemas. Os eventos da morte de Rodrigo não possuem a profundidade vista ao longo do filme. Além disso, essas cenas parecem correr demais, ao contrário de tudo o que vimos até então.

Em suma, “El Potro – Lo Mejor Del Amor” sabe retratar seu biografado com respeito. Ao mesmo tempo, mostra seus defeitos, o que o humaniza aos nossos olhos. Até porque, pessoas perfeitas não existem. Dessa forma, apresentar Rodrigo como um homem talentoso apesar de suas falhas como pessoa é uma decisão correta. Assim, conseguimos nos conectar emocionalmente com sua curta, porém intensa jornada.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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