Crítica: “Godzilla: O Devorador de Planetas”

“Godzilla: O Devorador de Planetas” é a terceira e última parte de uma trilogia que tem estreado na Netflix durante o período de um ano. Antes de chegarem ao streaming, as suas partes foram exibidas nos cinemas japoneses. Lá, alcançaram relativo sucesso. Evidentemente, isso aumentou a expectativa sobre a estreia de cada um deles no catálogo. Entretanto, o projeto tem diversas falhas como entretenimento. Nesse filme isso não foi diferente. É um final, para dizer o mínimo, decepcionante.

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Por conta disso, muitas pessoas podem se sentir incomodadas com “Godzilla: O Devorador de Planetas”. Aqueles que têm mais paciência e gostam de conversas filosóficas, por outro lado, vão adorar. É um trabalho que, certamente, divide opiniões. Não é um filme de monstro convencional, dado os seus temas e o ritmo da narrativa. Há quem goste: para alguns funciona muito bem. Para outros – a maioria – não.

 

Problemas metafísicos

O longa continua a história de Haruo, que vive no planeta Terra arrasado pela destruição causada pelo gigante Godzilla. Lá no primeiro filme, descobrimos que um grupo de pessoas saiu do planeta e, quando voltaram, se pegaram atravessando um lapso temporal que os transportou para muitos anos no futuro, quando o próprio ecossistema da Terra já tinha se adaptado ao seu predador imponente. Tudo havia mudado, e derrotar o monstro estava ainda mais difícil.

“Godzilla: O Devorador de Planetas” fala muito sobre temas espirituais, mas acaba deixando de lado seu protagonista.Nesse último capítulo da trilogia, Haruo precisa decidir se vai se aliar a um grupo pseudo-religioso que acredita piamente em uma forma de salvação incomum para derrotar o monstro: a invocação de um deus. No caso, trata-se de Ghidorah, um dragão de três cabeças que tem um imenso poder e força. Ele pode ser a salvação e derrotar, finalmente, o Godzilla. O que o filme trata, porém, não é isso: ele questiona se vale a pena arriscar acabar com o planeta inteiro – literalmente dizimá-lo – para derrotar um inimigo.

Aí nós podemos notar a crítica da qual o próprio Godzilla faz parte. O monstro foi criado acidentalmente por conta dos testes nucleares, isso é um fato que todos conhecem – pois está em todas as encarnações do personagem, do cinema ao anime. Portanto, a questão aqui pode ser comparada ao uso de bombas nucleares: vale a pena correr o risco de acabar com a humanidade como um todo, apenas para derrotar uma nação inimiga? Como, por exemplo, os Estados Unidos fizeram com o próprio Japão nos eventos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945?

 

“Godzilla: O Devorador de Planetas” evita respostas fáceis

Essas são respostas difíceis que praticamente todos os personagens de “Godzilla: O Devorador de Planetas” precisam refletir sobre. E talvez esse seja o maior defeito da produção: em um filme de monstros, o que se espera é a ação devastadora dele e a luta para derrotá-lo. Entretanto, no filme perde-se muito tempo em conjecturas filosóficas, onde todos conversam sobre o sentido de tudo. É muita falação, que dá pouco espaço para a ação. Entretanto, sabe-se que há quem gosta desse tipo de trabalho mais profundo, com menos batalhas e mais cerebral. Porém, essa fórmula não funciona com todos.

Em “Godzilla: O Devorador de Planetas”, é possível perceber que o próprio Godzilla aparece pouco, como aconteceu nos dois filmes anteriores. O clímax aqui traz um pouco de emoção, mas muito menos daquilo que se espera de um filme desse gênero. É aí que o trabalho decepciona, por priorizar as conversas mais intelectuais sobre o destino da humanidade e deixar de focar em seu “protagonista”. Afinal, é o nome dele que vai nos títulos, e portanto ele é quem deveria aparecer mais. Dessa forma, a sensação que dá é a mesma de alguém que convida os amigos para uma festa de aniversário, aparece por 20 minutos e depois vai embora, deixando as pessoas na sala, conversando à toa. Godzilla deu a festa, mas apareceu só de relance. O foco acabou sendo outro. Uma pena.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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