Crítica: “Jornada de Heróis” – 1a Temporada

A série israelense “Jornada de Heróis” conta uma história aparentemente simples, mas que possui grande significado. Isso porque ela fala sobre amizade e heroísmo, como se deve esperar em uma série com esse título, mas também sobre consequências penosas. Basicamente nós vemos, nos personagens dessa produção, o que o envio de jovens para uma guerra que eles não querem lutar pode fazer com suas mentes.

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Por outro lado, também podemos louvar aqui uma excelente produção, com ótimos valores no que diz respeito a fotografia, edição e direção. O roteiro também tem seus momentos – inclusive já foi adquirido para ganhar uma versão americana. No geral, “Jornada de Heróis” é uma série que deixa o espectador na ponta da cadeira. Tanto por conta de sua ação muito bem dirigida como também por conta do drama psicológico mostrado sem clichês.

 

Joseph Campbell nunca erra

"Jornada de Heróis" é mais uma série de ação e drama, mas que equilibra bem esses dois gêneros e resulta em um produto intenso.A história de “Jornada de Heróis” mostra quatro amigos, que se conhecem desde a juventude, vivendo tranquilamente em Israel. A eles se junta uma garota, Yaeli, que se torna namorada de um deles. Entretanto, como em Israel a chamada para o Exército é obrigatória a todos, quando chega a vez de irem para a guerra eles se separam. Cada um segue seu caminho, e assim permanece por vários anos. Depois de um tempo, durante uma passagem em Bogotá, na Colômbia, a foto de Yaeli sai nos jornais: morta em um acidente. O grupo então se reúne para viajar até o país sul-americano para investigar o que aconteceu.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a inteligência dos produtores de “Jornada de Heróis” em dosar a ação com tiro, porrada e bomba enquanto também fazem uma análise das consequências da guerra. Só por isso, a série já vale a pena ser assistida. Entretanto, uma outra esperteza no roteiro é encaixar os quatro protagonistas de “Jornada de Heróis” dentro do conceito que Joseph Campbell criou no começo do século XX. Chama-se justamente “A Jornada do Herói”.

Através desse esquema, podemos entender como funciona uma narrativa com começo, meio e fim de conteúdo suficiente para segurar um espectador ou um leitor. Sim, pois esse conceito é usado em tudo: livros, filmes, videogame… enfim: quase tudo que conta uma história. Baseia-se na ideia de fazer um personagem aceitar passar por um caminho cheio de dificuldades. Nele, encontra os vilões, os percalços naturais, até chegar ao climax. Isso é belamente empregado em “Jornada de Heróis”. Os quatro amigos passam por todos esses percalços na investigação que conduzem para entender o que houve com Yaeli.

 

“Jornada de Heróis”: investigação complexa

Falando em investigação, a história da série nos leva a um quebra-cabeças que precisa ser resolvido. Há dúvidas sobre a morte de Yaeli. Isso faz com que os amigos sigam as pistas deixadas e acabem entrando na selva colombiana. Lá, eles esperam encontrar respostas. Entretanto, com o treinamento de guerra que tiveram, podem sobreviver e enfrentar os perigos que os espera. O bacana é que nós, espectadores, vamos entendendo e juntando as peças junto com eles. Dessa forma, a surpresa que eles têm é a mesma que nós sentimos.

Cada episódio procura dar uma pista e resolver um mistério sobre o que aconteceu com a moça. Para que isso seja realmente crível, era preciso encontrar bons atores. Isso porque seria preciso, além de boa presença física, também boa dose de atuação para convencer na hora de mostrar o que a guerra pode fazer com a cabeça de alguém. O elenco de “Jornada de Heróis”, felizmente, foi bem escolhido. Tomer Capon, Michael Aloni, Nadav Netz e Moshe Ashkenazi se saem bem nos papéis. Além deles, Ninet Tayeb dá sempre um ar de mistério como Yaeli. Pelo menos nessa primeira temporada, não há pontas soltas ou alguém deslocado.

Conseguindo equilibrar bem a tensão, a ação e o drama, “Jornada de Heróis” conta com uma equipe técnica impressionante. Visualmente ela se assemelha mais a uma série hollywoodiana. Esse é mais um ponto positivo para essa produção que, a julgar pela primeira temporada, tem tudo para viciar os fanáticos em maratonar na Netflix.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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