Crítica: “A Esposa”

A Esposa” chega aos cinemas cercado de muita expectativa. Será mesmo que a atuação de Glenn Close é tudo isso para merecer ser indicada – e ganhar- o Oscar? Agora que o filme finalmente estreou, podemos dizer: sim, ela merece qualquer prêmio ao qual venha a concorrer.

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Não falamos isso baseados apenas em seu excelente histórico. Close é uma das melhores atrizes de Hollywood, multi-premiada, mas que nunca conseguiu vencer o Oscar de Melhor Atriz. Já está mais do que na hora, e “A Esposa” é a oportunidade perfeita para entregar a ela algo que ela merece há muito tempo. E não será uma forma de premiá-la pelo conjunto da obra, não. Aqui, ela entrega um de seus melhores trabalhos na extensa carreira.

A história de “A Esposa” é a seguinte: Close interpreta Joan Castleman, esposa de um famoso escritor cultuado no mundo todo, chamado Joe Castleman. Ela, que também tem talento para escrever, desiste do sonho para cuidar do marido, que basicamente é um ególatra machista. Apesar de tudo isso, ela se mantém ao seu lado. Quando ele ganha o Nobel de Literatura, ambos precisam viajar a Estolcomo, na Suíça, para receber a medalha das mãos do rei. Durante essa viagem é que as mágoas vêm a tona, e um grande segredo é revelado.

Segredo este que nós não vamos revelar aqui. A reviravolta é um dos grandes trunfos do roteiro de “A Esposa”, e falar sobre ele pode estragar a experiência. Aliás, o script não é dos melhores, ele possui alguns problemas narrativos. Entretanto, a atuação esmagadora de Glenn Close salva qualquer defeito. Ela empalidece qualquer coadjuvante que tente entrar em cena. Simplesmente fenomenal.

 

“A Esposa” é um filme sobre o machismo opressor

Glenn Close pode finalmente ser reconhecida no Oscar por seu trabalho em "A Esposa"A única pessoa que consegue competir com ela em cena é Jonathan Pryce. O veterano ator, que foi visto em “Game of Thrones” e agora é conhecido com sua espantosa semelhança com o Papa Francisco é o perfeito contraponto à grandiosidade da atuação de Close. Ele interpreta Joe, um sujeito asqueroso por dentro, mas que é visto pela sociedade como um sujeito boa-praça, simpático e ótimo professor. A forma como Pryce manipula o espectador para mostrar suas falhas de caráter é fantástica. E em toda a sequência final do filme ele brilha quase na mesma intensidade que sua companheira de cena. No entanto, ela sempre prevalece.

A participação de Christian Slater (conhecido agora da série “Mr. Robot“) como um repórter que deseja escrever a biografia de Joe é curta, porém importante para que possamos começar a entender a mente do homem – e também de sua mulher. “A Esposa” é um filme que na maioria das vezes trata com sutileza os seus assuntos, mas no clímax ele escancara quais são os seus temas: o machismo descarado, opressor, disfarçado de amor que diminui a mulher. É o sentimento de superioridade do homem que faz com que as mulheres sempre se sintam subjugadas.

Ao fim, saímos da sala de cinema atônitos por conta do desenvolvimento da história desse casal. Entretanto, o que mais nos atordoa é a interpretação firme e gloriosa de Glenn Close, que pode ter feito aqui o trabalho que a introduzirá na galeria de vencedoras do Oscar. E com toda a justiça.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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