Crítica: “A Última Gargalhada”

A Última Gargalhada” traz de volta dois atores muito queridos do público nos anos 70 e 80. Chevy Chase e Richard Dreyfuss saem do ostracismo para nos fazer rir e emocionar com um filme que fala sobre segundas chances.

Assista ao nosso vídeo sobre o filme!

Não que os dois atores estivessem aposentados. Chase se dedicou a séries na TV, enquanto Dreyfuss fez alguns filmes menores. Agora, com a Netflix patrocinando “A Última Gargalhada” os dois têm a oportunidade de aparecer para um público que ainda não os conhece. E com isso, mostrar que a idade não retirou o enorme talento dos dois. Chevy Chase sempre foi conhecido pelos papéis cômicos. Richard Dreyfuss é vencedor do Oscar e conhecido por papéis dramáticos. Aqui, os dois invertem os papéis e o resultado é sublime.

Na história, Al Hart (papel de Chase), um ex-empresário de astros da comédia, vai para uma casa de repouso. Ele teve uma vida bastante cheia e ocupada, e agora procura um pouco de paz – mesmo que à contragosto. Uma vez instalado na casa, ele reencontra Buddy Green (papel de Dreyfuss), um de seus primeiros clientes. Al descobriu Buddy como um grande talento de stand-up, mas ele desistiu da carreira para procurar uma vida mais estável como podólogo. A reunião entre os dois forma a ideia: por que não dar uma última chance para o talento de Buddy? Então, eles saem pelos Estados Unidos de carro, conseguindo apresentações para que ele possa mostrar a força de sua comédia antes que seja tarde demais.

O enredo parece feito sob medida para os dois atores. Quase nenhum outro personagem aparece para ofuscá-los: eles estão no centro da narrativa. A relação dos dois com a velhice também é mostrada de forma cômica, mesmo que no fundo, haja um elemento dramático.

 

“A Última Gargalhada” é um belo road movie

"A Última Gargalhada" é um filme engraçado e comovente que fala sobre segundas chances na vida.
Foto de “A Última Gargalhada” – Foto: Reprodução/Netflix

“A Última Gargalhada” é, essencialmente, um road movie. Dessa forma, acompanhamos a jornada dos dois senhores de idade em busca de uma última chance de brilhar. Fica muito evidente também a amizade entre eles. Dá gosto de acompanhar a história pois ambos são bem humorados e simpáticos. Isso nos aproxima deles. Até que, em determinado momento, o drama de Buddy é colocado: ele abriu mão de viver uma vida fazendo o que gosta para ter uma suposta estabilidade. Por esse motivo, se reprimiu a vida toda. Agora, na terceira idade, ele está tentando correr atrás do tempo perdido, mesmo que seus parentes não gostem muito da ideia de vê-lo em um palco.

No entanto, o elemento dramático da história não se sobrepõe às piadas. O roteiro, nesse sentido, é muito bem escrito. As linhas que Buddy/Dreyfuss solta no palco são verdadeiramente engraçadas. E toda a narrativa é bem organizada, sem fazer com que a gente se entedie. A dinâmica entre Chase e Dreyfuss deve também ser louvada: como não pensaram em uni-los antes? Ambos mostram ainda estar em plena forma, como se não tivessem passado tantos anos desde o auge de suas famas.

Trazendo também uma participação de Andy McDowell, outra atriz que se mantém meio sumida da mídia, “A Última Gargalhada” é um filme que vale a pena assistir. A mensagem é clara: sempre há segunda chance na vida. No entanto, a questão é saber aproveitá-la. Não importa a idade: sempre é possível recomeçar.

 

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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