Crítica: “Solo” é um novo filmaço no catálogo Netflix

Não, “Solo” não é aquele filme (ruim) derivado de Star Wars. Aquele é outro Solo. O longa sobre o qual vamos falar aqui é um longa espanhol que está estreando no catálogo da Netflix. A sua estrutura lembra muito filmes como “Náufrago” ou até mesmo “127 Horas“, aquele protagonizado pelo James Franco. Entretanto, há algumas diferenças básicas que distinguem essa obra das demais.

Veja a nossa opinião completa no vídeo abaixo – e se inscreva no canal!

 

Aqui, nós acompanhamos a história de Álvaro Vizcaíno. Ele é um sujeito que já está nos seus trinta e poucos anos, e que nunca gostou muito de laços afetivos. Ele não tem muitos amigos, se distanciou da família e não tem qualquer relação amorosa. Ele gosta de ser autossuficiente. No entanto, ao ir surfar nas Ilhas Canárias, ele acaba sofrendo um acidente e despencando de um penhasco. Na queda, ele fratura a bacia. Sem sinal no celular e com a maré subindo para puxá-lo ao mar, ele não consegue andar. A partir daí, acompanhamos a jornada de sobrevivência de Álvaro e flashbacks do seu passado. Sozinho e prestes a morrer, ele começa a repensar todas as suas atitudes.

Em primeiro lugar, o que precisa ser destacado em “Solo” é a atuação poderosa de Alain Hernández. O ator aparece durante todo o filme. Dessa forma, ele precisa segurá-lo praticamente sozinho. Nesse sentido, Hernández dá um show: seu trabalho aqui é de uma força física e psicológica impressionante. Chega até mesmo a ser superior, em alguns momentos, ao trabalho já citado de James Franco no filme dirigido pelo Danny Boyle em 2010.

Levar um filme nas costas, sozinho, é complicado. Ainda mais quando quando o personagem não é exatamente uma pessoa simpática. As opções ficam bastante limitadas, e Hernández se sai muito bem nessa tarefa.

 

"Solo" é um filme emocionante e que nos prende a atenção ao mostrar uma jornada impressionante de sobrevivência.

A direção precisa em “Solo”

Hugo Stuven, diretor do filme, está apenas em seu segundo longa-metragem. Entretanto, ele parece um veterano. A direção que ele exibe em “Solo” é absurdamente competente. Não apenas por conseguir nos deixar impactados com os momentos em que Álvaro precisa lutar para sobreviver, mesmo que isso aparente ser quase impossível. O bom trabalho também está na análise psicológica do personagem. Acompanhamos seus momentos mais intimistas, e passamos a ver por que ele nunca desejou estabelecer laços com outras pessoas. Sua autossuficiência tem uma razão de ser, não é gratuita. Stuven vai nos entregando isso aos poucos, sem forçar a barra. E evidentemente, as cenas de perigo são muito bem arquitetadas, inclusive com uma fotografia espetacular.

No entanto, há um certo exagero no roteiro no empenho de nos emocionar. “Solo” tem momentos altamente dramáticos, que não precisariam ser esticados ao máximo. Isso foi feito, e apesar de ter sido na melhor das intenções (para nos conectar ainda mais com o personagem principal, que não é um exemplo de simpatia), soa um pouco artificial às vezes. Dessa forma, corremos o risco de nos desconectar da história fantástica que está sendo contada.

Em suma, “Solo” pode ser considerado um drama de sobrevivência competente e que sabe entreter a audiência. Alterna-se entre momentos de tensão com outros mais dramáticos, o que deixa o público tenso do começo ao fim. O mais incrível de tudo isso é saber que essa história é real: tudo isso aconteceu em 2014. No final, prevalece a mensagem de determinação e esperança, aliada ao fato de que sempre temos uma segunda chance na vida. Às vezes, é preciso acontecer uma tragédia para percebermos isso – mas ela sempre está lá, basta aproveitar.

 

 

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *