“Back With The Ex”: por que o reality show da Netflix não funciona?

“Back With The Ex” é um reality show australiano que a Netflix disponibilizou para tentar reatar relacionamentos fracassados – e fracassa retumbantemente, tanto em sua “missão” quanto como entretenimento.

Há uma febre de reality shows na Netflix atualmente. A empresa de streaming tem investido cada vez mais nesse formato, com maior ou menos sucesso. Dessa forma, podemos nos pegar viciados em algum programa. Por outro lado, podemos rejeitá-lo em todos os sentidos. É oito ou oitenta.

Recentemente, estreou “Back With The Ex“, um novo reality que, assim como “Instant Hotel” (que nós resenhamos aqui, clique para ler), vem dos lados da Austrália. Entretanto, não repete o sucesso do programa citado. Isso porque ele simplesmente tem uma premissa ruim. Simples assim. Não há qualquer atrativo no programa que chame a atenção da audiência e a prenda até o fim.

Entretanto, não dá para dizer que a ideia não tenha sido boa. “Back With The Ex” é uma espécie de “Em Nome do Amor” melhorado. Para quem não lembra, esse era o programa que o Sílvio Santos tinha, na década de 90, para contar histórias de namorados ou maridos que não deram certo e queriam segunda chance. Ok, o programa não falava apenas disso, mas tinha boa parte do seu tempo dedicado a tentar reatar casais.

Entretanto, aqui essa premissa fracassa de modo retumbante. E por que isso acontece?

Neste artigo, pretendemos esmiuçar a questão. Assistimos ao reality show até o fim, e a nossa conclusão sobre ele não é boa. Ao invés de fazermos uma crítica, resolvemos explanar: por que ele falha miseravelmente naquilo que se propõe?

 

Causa e efeito

"Back With The Ex" é um reality show australiano que a Netflix disponibilizou para tentar reatar relacionamentos fracassados - e fracassa retumbantemente, tanto em sua "missão" quanto como entretenimento.A gente sabe que a febre dos reality shows já passou. Ao menos, em boa parte do mundo, esse formato está desgastado. O Brasil é um dos poucos países que resiste a enterrar essa moda. Boa parte dos programas desse tipo não têm nada a dizer. Simplesmente apostam em barracos e confusões para conseguir audiência. Basta olhar para o Big Brother Brasil, por exemplo. Não há nenhum sentido ali a não ser escolher, a dedo, personagens caricatos que podem gerar algum tipo de Ibope apenas pela atração (ou não) entre si.

Entretanto, em “Back With The Ex” havia uma premissa que prometia ser um pouco mais atrativa: e se o programa reunisse ex-casais que estão separados há muito tempo, para ver se eles reatam?

O programa, então, coloca alguns casais frente a frente, bancando jantares e hospedagens elegantes para tentar reacender a paixão que antes havia por ali. Praticamente todos são da mesma faixa etária, e os motivos pelo qual se separaram são os mais variados. Poderia ser uma ideia interessante, e não funcionou por um motivo simples: causa e efeito.

E o que queremos dizer com isso?

Quando um casal se separa, geralmente há um bom motivo. A vida precisa seguir. Cada um vai pro seu canto lamber as feridas e tentar se recuperar. No entanto, alguns poucos se separam por motivos alheios a sua vontade, e quando há oportunidade, acabam voltando. “Back With The Ex” tenta reaproximar essas pessoas que, claramente, não têm mais nada em comum. E pior: quando exploram o passado, sentimentos antes enterrados acabam voltando à tona. Mágoas são expostas, e ao contrário do que se pensava, não é o amor que retorna.

 

“Back With The Ex” prova a inocência dos produtores

Na maioria dos casos presentes no show, o término foi benéfico para os dois lados. Mesmo estando solteiros no momento, o que causou a separação foi culpa de um ou de outro. São coisas que deixaram marcas profundas no ex-parceiro. Não são coisas fáceis de lidar. Entra aqui a causa e efeito: situações do passado reverberam, ainda, no presente. E continuarão assim no futuro.

Portanto, é prova de inocência juntar essas pessoas para tentar reaproximá-las. Chega a ser constrangedor assistir as investidas de alguns participantes, claramente expondo o ex-parceiro ou parceira ao ridículo. Há quem se divirta com isso, é lógico, mas não parece certo. Nem mesmo parece interessante, falando olhando apenas sob o prisma do entretenimento.

O resultado é um show morno o tempo inteiro, que não cumpre o que promete – ao menos, não totalmente. O comportamento de profunda inaptidão de boa parte dos participantes dessa primeira temporada é prova da inocência dos produtores em acreditar que algo de bom poderia sair dessa ideia.

Ao contrário: temos um show de bolas-fora, climas péssimos e poucos resultados práticos – ao menos, naquilo que “Back With The Ex” se propõe. Dessa forma, o show não engata e nós, espectadores, ficamos esperando para ver se algo acontece. Spoiler: não acontece.

Por conta disso, não recomendamos “Back With The Ex” para ninguém, muito menos aos leitores desse site. Mesmo que o formato de reality show esteja desgastado, há opções melhores na própria Netflix, como é o caso de “Instant Hotel”, do qual já falamos. Este programa começa como uma boa ideia, mas termina mal. Por isso mesmo, pode ser que tenha uma segunda temporada. A ver.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

1 thought on ““Back With The Ex”: por que o reality show da Netflix não funciona?

    Paola de Oliveira Almeida

    (15 de janeiro de 2019 - 02:04)

    Pois eu acho que realmente isto é vida real em matéria de amor com seus altos e baixos de uma conivência á dois. Amei o reality show e espero muito uma 2° temporada.

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