Crítica: “Carmen Sandiego” ressurge em eficiente série da Netflix

Qualquer pessoa que tenha passado a infância nos anos 90 conhece “Carmen Sandiego”. Ela surgiu pela primeira vez como um jogo educativo para computadores em meados da década de 80. Seria restrito apenas a isso. No entanto, teve a sua popularidade cada vez crescendo mais. Finalmente, culminou na animação, que ficou bem conhecida de quem tem 25 anos ou mais. Corta para 2019. A Netflix resgatou esse ícone e lhe deu nova roupagem. Consequentemente, os roteiristas resolveram se aprofundar em suas origens. Este é um fato que não tinha sido explorado até então. Dessa forma, repaginou a personagem e lhe deu profundidade.

Entretanto, a primeira temporada da produção acabou sendo uma surpresa. Felizmente, por boa causa: saiu melhor que o esperado. A produção, dessa forma, tem a capacidade de agradar aos mais saudosistas. Principalmente aqueles que acompanharam Carmen em suas aventuras pelo mundo há vinte anos. Por outro lado, também encanta os mais novos que ainda não conhecem nada sobre ela e sua história.

 

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História de origem

“Carmen Sandiego” gasta seus dois primeiros episódios, de meia hora cada, explicando quem ela é desde a sua mocidade. Esta já é a primeira novidade. Acompanhamos quando ela entra para a Academia V.I.L.E. e começa a sua carreira como uma habilidosa ladra. Isso, nem mesmo os mais antigos tinham visto antes. Ficamos sabendo como ela desenvolveu seus talentos até se tornar a maior ladra do mundo, procurada por todo o canto e reconhecida como a mestra nesse assunto. Entendemos, nesses episódios, qual é a história de seus pais, da qual ela não se lembra, e como ela moldou seu caráter na Academia com o apoio de amigos leais.

No entanto, há uma diferenciação a respeito da série anterior: se antes ela agia totalmente sozinha, agora ela tem amigos que a auxiliam em seus planos, todos oriundos da Academia. Em contrapartida, também vemos que cada um deles começa a desenvolver carreiras próprias e que começam a se questionar sobre a lealdade a Carmen, que age como uma espécie de Robin Hood. Enquanto isso, a ACME Detetives procura por ela através de seus agentes, que estão no seu encalço em qualquer lugar do planeta onde ela possa estar

Como agora temos, em “Carmen Sandiego”, uma personagem mais completa e profunda, além de certa complexidade – por conta de sua relação com os pais – podemos entender melhor quem é essa mulher, por que ela se tornou quem ela é e qual é o motivo dela usar apenas vermelho. Até isso nos é explicado, e com um perfil completo, podemos nos aproximar dessa personagem. Ajuda também que a animação é primorosa, muito competente e que em momento nenhum perde a qualidade.

 

Qualidade de dublagem em “Carmen Sandiego”

“Carmen Sandiego” também é beneficiada por uma dublagem extremamente competente na versão americana. A personagem-título tem a voz de Gina Rodriguez, conhecida por seus trabalhos em séries como “Jane The Virgin”, pela qual ela ganhou um Globo de Ouro. Além dela, outro nome conhecido na dublagem original é de Finn Wolfhard, que está no elenco de “Stranger Things” e “It – A Coisa”, no papel de Player, um misterioso hacker que só veste chapéu branco com quem Carmen tem contato constantemente.

Não que a versão brasileira fique atrás. Também é absurdamente competente, como sempre é quando se trata de nossos dubladores. Em qualquer versão que se veja, “Carmen Sandiego” vale a pena. Mesmo que todo o caráter educacional que se tinha antes (quem é das antigas, sabe) tenha desaparecido nessa nova versão, fica a sensação de que foi uma boa decisão. Carmen está de volta, e está melhor do que nunca.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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