Critica: Sempre Bruxa coloca mais magia (e diversão) no catálogo Netflix

A série colombiana “Sempre Bruxa” desembarca na Netflix com uma missão clara. É bem claro: aproveitar o buzz gerado por outra produção da plataforma. No caso, falamos de “O Mundo Sombrio de Sabrina”, que trouxe de volta o interesse pela magia, pelas bruxas e pelo “lado negro”. No caso, não aquele visto nos filmes de Star Wars, mas é algo muito parecido. No entanto, ela não é uma produção totalmente original. A série foi produzida em associação com a  Caracol Televisión e distribuída em streaming para o resto do mundo. Podemos dizer, com certeza, que essa foi uma decisão acertada da Netflix. A série é muito boa.

No entanto, “Sempre Bruxa” não é o tipo de série que fala sobre magia negra gratuitamente. Na verdade, esse tema é apenas um pano de fundo. A produção aborda o empoderamento feminino. Além disso, mostra o fortalecimento das lutas das mulheres em um mundo predominantemente machista. Claro, tudo isso sem perder o bom humor, as tiradas engraçadas e o mistério que envolve toda a questão da bruxaria. É uma série teen, mas que passa boas mensagens.

Assista a nossa crítica, disponível em nosso canal, no vídeo abaixo:

 

Viagem no tempo

“Sempre Bruxa” é um trabalho que adapta um livro de sucesso. Chamado “Eu, Bruja”, escrito por Isidora Chacón Alvarez, foi um enorme sucesso em seu país de origem, Costa Rica. Agora, temos a oportunidade de acompanhar a história de Carmen. Ela é uma jovem de dezenove anos que precisa fugir da perseguição que sofre por ser praticante de bruxaria na Colômbia do século XVII. Nesta época, estava em alta a caça às bruxas, que dizimava qualquer pessoa que fosse apenas suspeita da prática. No entanto, com a ajuda de um feiticeiro, ela encontra uma forma de fugir: viajando no tempo. Em troca, ela recebe uma missão: encontrar uma discípula do feiticeiro. Aceitando a demanda, ela pára na Colômbia nos tempos atuais.

Por conta disso, Carmen precisa recomeçar a sua vida na Cartagena atual. Isso implica em se envolver com as pessoas do nosso tempo. No caminho, ela acaba encontrando interesses amorosos, e tentando não demonstrar os seus poderes. Acontece que a garota é impulsiva e quase não consegue se conter na hora de usar a magia no dia-a-dia, o que, claro, começa a despertar a desconfiança das pessoas ao seu redor. Esse enredo, típico de séries para adolescentes, funciona muito bem em “Sempre Bruxa” porque há todo o magnetismo que envolve as produções que falam sobre magia. Temos vários exemplos na própria Netflix que mostram o quanto séries e filmes que tratam desse tema alcançaram enorme sucesso. Misturar os dilemas de uma jovem com as questões da bruxaria não é novidade: mas com uma produção apurada e competente, mesmo o clichê rende uma boa diversão.

 

Sem perder a diversão

Para segurar uma personagem protagonista, foi chamada a atriz Angely Gaviria. A moça se destaca tanto nas cenas passadas nos séculos passados quanto naquelas em que ela aparece em nosso tempo. Ela possui um enorme carisma e consegue manter o interesse em sua personagem o tempo todo, deixando o espectador preso na história. Qualquer atriz com menos personalidade e carisma não conseguiria esse resultado.

Além do mais, o roteiro é esperto em misturar as questões do final da adolescência com o modo como as mulheres são vistas e tratadas em nosso tempo, fazendo um paralelo com a história da perseguição às bruxas no século XVII. No fim, “Sempre Bruxa” ultrapassa o limite da diversão pura e simples ao carregar uma mensagem de empoderamento.

Entretanto, “Sempre Bruxa” mantém-se divertida e não se perde ao passar a mensagem. É muito comum séries que tentam passar essa mesma sinalização e, no fim, se tornam cansativas. Aqui, em momento algum isso acontece: as aventuras de Carmen no mundo moderno continuam cativantes, mesmo quando ela quer passar um recado maior do que o simples riso em uma série teen.

Por isso, “Sempre Bruxa” é uma série que merece ser vista e apreciada. Serve a qualquer idade: basta gostar de uma história simples, mas que traz em si ideais de igualdade, respeito e compreensão.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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