Riccardo Scamarcio em cena de "Nada Santo", co-produção da Netflix - Foto: Reprodução/Netflix

Crítica: “Nada Santo” começa bem, mas falha em prender a atenção do espectador

“Nada Santo” faz parte de uma tradição cinematográfica infalível: os filmes que retratam a máfia (ou submundo criminoso) da Itália. Filmes de Martin Scorsese ou Francis Ford Coppola já demonstraram como funcionam essas organizações. Dificilmente um filme feito no próprio país alcança o público estrangeiro. A Netflix resolveu isso trazendo essa produção, dirigida por Renato de Maria.

Na história, conhecemos Santo Russo (Riccardo Scamarcio), um bem sucedido “artesão do crime”. Ele tem excelentes conexões no mundo mafioso da Itália, e é muito rico e influente. O filme começa mostrando sua rotina atual à todo vapor, para depois dar um corte e recomeçar a história, mostrando Santo em sua adolescência. A partir disso, “Nada Santo” torna-se uma história de origem. Isso porque, desse ponto em diante, vemos a história de Santo desde o começo, até o momento em que ele se torna o que ele é.

Essa volta de 20 anos no passado logo no começo do longa nos engana. É um falso começo, muito usado por cineastas celebrados para dar um choque no público. Entretanto, a produção falha em não dar ao restante da narrativa o mesmo vigor mostrado no início. Dessa forma, somos “enganados” em achar que o filme terá a mesma sequência de ação que enxergamos assim que “damos o play” no stream.

Infelizmente, isso acaba se tornando uma falha vital para o desenvolvimento de “Nada Santo”. Afinal, o que mais esperamos quando vemos um filme é uma boa história sendo contada de uma maneira que prenda nossa atenção. Aqui, infelizmente, acontece o contrário: no começo ficamos vidrados, mas à medida que a história se desenrola, vamos perdendo o interesse.

 

Falta de vigor

Isso causa um choque, pois a julgar pelos primeiros minutos, esperamos por um filme ágil e movimentado. Quando retorna para a adolescência de Santo, ele se torna mais lento. Até retornar ao ponto de partida, já estamos quase no fim do longa.

Essa é uma falha da produção, mas que consegue boa recepção por conta da atuação de Riccardo Scamarcio. Mesmo a direção pareça muito com uma série de TV convencional (no mau sentido do termo), o ator dá conta e carrega o filme nas costas. Sua atuação é de gala. Pena que o filme não corresponda a essa qualidade.

Não é que “Nada Santo” seja ruim. É apenas uma boa história com problemas de ritmo e narrativa. Nas mãos de um diretor com mais visão, seria um filme e tanto. Porém, suas falhas de produção o tornam apena mediano.

Post Author: Luiz Henrique Oliveira

Nascido em Capão Bonito, criado em Itapetininga, residente de São Paulo. Gosta de filmes, de séries, de livros e de dar uns rolês aleatórios. Acha "O Poderoso Chefão" o melhor filme do mundo quando não lembra que "2001" consegue ser melhor. É religioso: tem muita fé em Stanley Kubrick.

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